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Especialistas iranianos na Coreia do Norte para supervisionar disparo de míssil

Março 29, 2009

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TÓQUIO, Japão, 29 Mar 2009 (AFP) - Especialistas iranianos se encontram na Coreia do Norte para ajudar no lançamento previsto para início de abril de um artefato que Pyongyang afirma ser um satélite e que os Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul temem que se trate de um míssil, informou neste domingo um jornal japonês.

Segundo o Sankei Shimbun, quinze iranianos especialistas em tecnologia de mísseis chegaram à Coréia do Norte no início de março com uma carta do presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad dirigida ao líder norte-coreano Kim Jong-Il.

Em 2 de fevereiro, o Irã colocou em órbita seu primeiro satélite com ajuda de seu foguete Safir 2, o que no Ocidente suscitou temores de que Teerã empregue essa tecnologia para desenvolver seu programa balístico.




Japão mobiliza mísseis para interceptar foguete norte-coreano

Tóquio, 29 mar - O Exército japonês começou hoje a mobilizar as baterias antimísseis Patriot do centro do país em direção a diversas localizações do nordeste, um preparativo para o iminente lançamento do foguete norte-coreano.

Os mísseis guiados começaram a ser transferidos às províncias de Iwate e Akita, norte do Japão, por onde o foguete deve passar.

Segundo a agência japonesa "Kyodo", os Patriot carregados com mísseis PAC-3 estarão prontos a partir de segunda-feira para apoiar os dois navios antimísseis Aegis que partiram no sábado em direção ao Mar do Japão.

Os Patriot seriam os encarregados de interceptar o foguete norte-coreano ou partes do mesmo se estas forem consideradas uma ameaça e sempre e quando os navios Aegis não tiverem conseguido detê-las primeiro.

Na sexta-feira, o Governo japonês ordenou às Forças de Autodefesa que destruam o foguete caso as partes do artefato possam cair em território do país devido a uma falha.

A Coreia do Norte alega que lançará um satélite que colocará em órbita entre 4 e 8 de abril.

Já o Governo da Coreia do Sul acredita que o lançamento ocorrerá entre 6 e 8 de abril, devido às condições climáticas.

Segundo a agência meteorológica sul-coreana, para o dia 4 estão previstas chuvas na zona do lançamento, conhecida como Musudan-ri, enquanto no dia seguinte estará nublado, o que impossibilitaria as operações.



Coreia do Norte ameaça revidar se satélite for atacado

SEUL - A Coreia do Norte colocou hoje suas forças armadas em prontidão e ameaçou retaliar contra quem quer que tente impedi-la de realizar o lançamento de um satélite visto por potências regionais como "um teste de míssil disfarçado". "Abater nosso satélite lançado com fins pacíficos significará precisamente uma guerra", advertiu o comando militar norte-coreano, em declaração divulgada pela agência estatal de notícias do país. O governo norte-coreano também cortou uma linha militar direta com a Coreia do Sul, o que provocou o fechamento total da fronteira e reteve em seu território centenas de cidadãos sul-coreanos que trabalham em um polo industrial em Kaesong.

A advertência de hoje coincidiu com o início das manobras militares anuais realizadas em conjunto pela Coreia do Sul e pelos Estados Unidos. A Coreia do Norte denuncia as manobras como preparativos de uma invasão. Na semana passada, Pyongyang advertiu que não poderia garantir a segurança de voos comerciais sul-coreanos que passam perto de seu espaço aéreo durante as manobras militares. Analistas acreditam que o país esteja tentando chamar a atenção do presidente dos EUA, Barack Obama, em um momento no qual seu governo formula uma política para a Coreia do Norte.

O governo norte-coreano informou que está levando adiante um plano para enviar um satélite de comunicação ao espaço. Governos vizinhos consideram o lançamento provocativo e acreditam que Pyongyang estaria tentando acobertar o teste de um míssil de longo alcance capaz de chegar ao Alasca. Funcionários norte-americanos e japoneses disseram que abateriam o projétil, se necessário, irritando ainda mais Pyongyang.

Segundo o governo da Coreia do Norte, qualquer interceptação acarretará "uma ação retaliatória justa não apenas contra todos os meios de interceptação envolvidos, mas também contra as fortalezas" de EUA, Japão e Coreia do Sul, informou a nota. Num comunicado separado, a Coreia do Norte informou que suas forças armadas estão "em prontidão total de combate".

Enviado especial de Obama à região, Stephen Bosworth pediu à Coreia do Norte que não dispare nenhum míssil. Já Won Tae-jae, porta-voz do Ministério da Defesa da Coreia do Sul, qualificou as ameaças como "retórica", mas afirmou que seu país está preparado para lidar com qualquer contingência. Analistas acreditam que o envio de satélite, ou o disparo de míssil, ocorreria em algum momento entre o fim de março e o início de abril, quando a nova legislatura da Coreia do Norte, eleita ontem, terá sua primeira sessão que deverá reconfirmar o autocrata Kim Jong Il como líder do país.

Eleições

Kim Jong Il foi reeleito ontem por unanimidade pelo Parlamento do país, informou hoje a mídia estatal da Coreia do Norte. A eleição foi observada de perto em busca de sinais de mudanças políticas ou de que o líder autocrático tenha escolhido um sucessor. Porém, nenhum dos três filhos de Kim estava entre os 686 outros legisladores anunciados pela mídia estatal. Relatos indicavam que o filho mais novo do mandatário, Kim Jong Un, concorria por uma cadeira no Parlamento. Isso levou a especulações dos analistas de que ele estava sendo preparado para herdar o poder.

A eleição de ontem, de partido único, teve o comparecimento de 99,98% dos eleitores, com o eleitorado escolhendo apenas um candidato para cada distrito do país, informou a Agência Central de Notícias da Coreia. Kim, com 67 anos, sofreu um derrame e uma cirurgia cerebral em agosto do ano passado, o que aumentou os temores de que a possível morte súbita do autocrata levasse a Coreia do Norte, um país com armas nucleares, à instabilidade. O governo negou que Kim estivesse doente e adiou a eleição do Parlamento até março deste ano. A nova assembleia deverá se reunir no começo de abril e reconfirmar Kim como líder e também dirigente da poderosa Comissão de Defesa Nacional.

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