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Hoje a Net faz greve

Janeiro 18, 2012

sattotal

Numa atitude sem precedentes, Google, Yahoo!, YouTube, Facebook, Twitter, AOL, LinkedIn, eBay, Mozilla, Wikimedia, entre outros, formaram uma aliança temporária para combater uma lei e programaram para esta quarta-feira várias ações de protesto e pressão sobre os senadores americanos. É uma batalha pela liberdade na Internet, dizem as empresas de tecnologia.

Não, respondem as indústrias do entretenimento apoiantes do Stop Online Piracy Act (SOPA): é uma luta contra os piratas e pela proteção da propriedade intelectual.

Imagine a seguinte situação: você acha que os seus dotes vocais são demasiado impressionantes para serem desperdiçados no banheiro e decide partilhar com o mundo o seu talento. Como sucede com muitas outras pessoas, grava um vídeo interpretando a sua canção preferida e envia-o para o YouTube para que milhares de utilizadores o possam escolher como potencial ídolo.

Foi assim que Justin Bieber começou a ser conhecido, por exemplo. E é por isso que uma das frases mais famosas dos ativistas anti-SOPA é «libertem Justin Bieber».

Numa Internet imersa na «SOPA» legislativa apoiada pelos representantes das grandes indústrias do entretenimento, passar do banheiro para o YouTube seria uma ação criminosa com direito a até cinco anos de prisão, se este hipotético novo Justin Bieber persistisse no incumprimento.

Em última análise, também poderia levar ao encerramento do próprio YouTube, caso este não cedesse às exigências do detentor do copyright e se recusasse a apagar o vídeo.

Imagine uma outra situação: você tem um blogue no SAPO. Não o abriu para fazer dinheiro ou partilhar conteúdo protegido por direitos de autor, mas porque adora partilhar as suas ideias e vivências com outras pessoas. Como é um bom comunicador e ajeita-se a escrever, o pequeno blogue começa gradualmente a receber visitas e comentários.

Numa Internet portuguesa imersa numa «SOPA» legislativa com os mesmos condimentos da que está a ser provada nos Estados Unidos, poderiam fechar-lhe o blogue de um dia para o outro: bastaria que um visitante colocasse na zona de comentários, sem você se aperceber, um link para um site pirata.

Em última análise, por absurdo que pareça, um único link poderia conduzir ao encerramento do próprio serviço de blogues do SAPO, caso este se recusasse a ceder às exigências do detentor de copyright do material pirateado.

Greve, o novo 404

Estas são duas das possíveis consequências práticas apontadas pelos que combatem esta legislação. Gigantes da web como a Google ou fundações online como a Wikimedia e a Mozilla, responsável pelo browser Firefox, consideram que situações semelhantes poderão mesmo vir a suceder, caso os projetos de lei Stop Online Piracy Act, mais conhecido pelo acrónimo SOPA, e o Protect IP Act (PIPA), sejam aprovados pelo Senado americano. E, numa atitude sem precedentes, várias empresas – Google, Yahoo!, YouTube, Facebook, Twitter, AOL, LinkedIn, eBay, Mozilla, Reddit, a Wikimedia, entre outras – formaram uma aliança temporária para combater o SOPA e programaram para hoje, 18 de Janeiro, várias ações de protesto e pressão sobre os senadores americanos.

A Wikimedia manterá até à meia-noite a versão em língua inglesa da Wikipedia encerrada; a Google, «em nome do combate à censura», levará a sua oposição à página principal americana do seu motor de busca. Fala-se num blackout completo para o futuro, um desligar da Net que seria para os internautas um acontecimento tão inusitado como um dia de calor tropical para um esquimó.

Um pouco por todo o lado, a web americana está em greve e apela à solidariedade dos internautas de todo o mundo, lembrando-os de que a vitória do SOPA irá gerar clones legislativos em todo o lado – outro acontecimento que ficará na História da Internet, a greve e a repressão da Web à escala mundial. Até a Microsoft, signatária do consórcio anti-pirataria Business Software Aliance, não apoia esta legislação.

O senador republicano que redigiu o Stop Online Piracy Act, Lamar Smith, já veio a público criticar as empresas que aderiram à «greve», dizendo que se trata apenas de um «golpe publicitário». «Esta lei não prejudicará a Wikipedia, os blogues pessoais ou as redes sociais. Os mentores deste protesto estão a prestar um mau serviço aos utilizadores, pois escolheram promover o medo e não os factos».

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